Jul 23 2008

Um sonho

“Então eu tive um sonho…
Era um lugar bonito, mas muito, muito distante e difícil de chegar.
Bem no meio, uma redoma de vidro, grande e intrigante.
Linda.
Sem portas ou janelas.
Me aproximei, e através do vidro vi máquinas enormes, cheias de luzes…
Vi brinquedos… muitos brinquedos.
Em camas cheias de almofadas…
E muitos doces.
E vi que lá morava alguém muito especial.
Alguém com alma de criança em corpo de adulto, mas com muitas responsabilidades.
Seu olhar brilhava tanto…
Um brilho triste mas muito atraente.
Esse olhar às vezes ficava distante, como se pudesse por um segundo se perder, mas quando voltava, a segurança que transmitia vinha ainda mais forte e intensa.
O sorisso era tão lindo que ao mesmo tempo que trazia calma e paz, fazia o corpo todo tremer.
A sua forma simples de viver alegrava!
E lá de dentro esse alguém me fazia rir. Me fazia ser criança. Me fazia querer brincar.
E eu sentia uma dor que vinha desse alguém.
Uma dor forte e intensa que me atraía…
E quanto mais eu sentia essa dor, mais eu tentava me aproximar.
Quanto mais eu tentava me aproximar, mais longe eu me sentia.
E sem perceber mais eu ria.
E mais atraída me sentia.
Eu me deixava levar pela inocente tristeza daquele olhar sem esperança.
Então, de tanto querer entrar, de repente senti meus olhos fecharem, e prendendo minhas pernas, essa criatura mágica me levou para um carrossel que girava num ritmo que eu não conhecia, e o resto de mundo parou. Então não me restava nada além de me deixar levar.
Eu mergulhei na sua loucura.
Eu senti de perto o cheiro e o gosto.
E os palhaços…
Fiquei presa numa brincadeira real.
Não sei se entrei castelo de vidro porque me perdi na música e então não vi mais nada.
E nessa hora a dor que eu sentia naquele alguém virou prazer.
E tudo aquilo me fascinou. Me enlouqueceu.
Mas foi só um sonho…
E então meu sono ficou agitado e meu anjo triste sumiu.
Eu acordei com o gosto doce e amargo da lembrança desse sonho.
Um sonho quase real.
Às vezes parece que foi…”

E essa música na minha cabeça:



I’m not a perfect person
There’s many things I wish I didn’t do
But I continue learning
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know

I’ve found out a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
and the reason is you

I’m sorry that I hurt you
It’s something I must live with everyday
And all the pain I put you through
I wish that I could take it all away
And be the one who catches all your tears
Thats why i need you to hear

I’m not a perfect person
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go
That I just want you to know

I’ve found out a reason for me
To change who I used to be
A reason to start over new
and the reason is you


Jul 11 2008

Mentiras

Eu minto que não sei mentir, finjo que não sei fingir, convenço que não sei disfarçar…
E assim misturada à minha conhecida loucura existe uma falsa inocência que às vezes me dá nojo.
E quando eu tento conversar sobre isso, a única pessoa que me conhece um pouco melhor me pergunta: quantas Ca**** existem?
E isso me corta… porque uma das coisas que eu queria muito era poder ser eu mesma sem máscaras.
E quantas Ca**** existem?
Será que se um dia desses eu não aguentar mais e aparecer com cortes no corpo, ou se eu usar uma droga, alguma coisa emfim que deixe visível o tamanho do desespero e da angústia que eu sinto e que ninguém sabe, será que as pessoas vão dizer que não imaginavam? Ou vão dizer bem que eu pensei que ela não estava bem mesmo…
Porque a impressão clara que eu tenho é que vão dizer que não imaginavam. Eu aparento estar bem. Meio “louquinha” como dizem, mas bem. E por dentro tem um furacão, um mundo de coisas na minha cabeça que não param. Uma necessidade tão grande de encontrar um motivo pra tudo isso…
E eu vou começando e terminando, ou melhor, começando e “não terminando” milhões de atividades diferentes, sempre em busca de algo que eu mesma não sei o que é.
Eu busco uma liberdade que eu não sei se existe.
Eu busco sentir vida na dor física e principalmente na dor emocional. Eu procuro o sofrimento pra me sentir mais humana.
Tem horas que eu quero assistir ao que acontece mundo sem participar dele. Eu me sinto tão cansada…
Essa é uma Ca****… Essa é A Ca*****.

Jul 10 2008

Várias vidas

Uma vez, no passado, minha vida às vezes tomava rumos que não eram bem aqueles que eu queria pra mim. Como se as coisas de repente fugissem do meu controle. Digamos que eu ia fazendo coisas que eu sabia que não devia mas que não conseguia controlar. Não pesava as consequências, e essas coisas iam somando e de repente eu tinha feito tantas coisas ruins que tinha me tornado alguém que não era mais agradável à “sociedade” digamos assim. Acho que apesar de eu dizer que não ligava, no fundo eu mesma não gostava do que eu tinha me tornado.
Acontece que eu não conseguia evitar chegar nesse ponto. Eu traía os amigos, usava as pessoas, magoava os que gostavam de mim… Decepcionava em grande escala! Alcançava o prazer que eu tanto prezava, pelo preço da solidão. O prazer… sempre uma prioridade. Sempre o meu prazer. Sempre conquistar, ter, ser, colecionar, aparecer, poder mais que qualquer um.
Eu dizia, ou pensava, que não ligava pra isso. Talvez não ligasse mesmo…
E então o que eu fazia quando tudo tinha saído do meu controle e todos tinham se afastado…
Eu mudava de vida. Mudava de personagem. Mudava a cor do cabelo, o estilo da roupa, o que eu pudesse mudar. O emprego, a turma, tudo. Deixava tudo pra trás, abandonava. E começava tudo de novo.
Tudo de novo.
Aí depois dos remédios e ds mudanças isso acabou.
Acontece que hoje eu tô com aquela estranha vontade de abandonar tudo de novo. Não que ue tenha feito coisas erradas, na verdade minha vida tá bem certinha, mas a sensação de mudar de vida… não sei se é saudade ou o que…
Só sei que queria mudar tudo, ser outra pessoa… Tô cansada da minha vida……. cansada das pessoas…. das coisas que eu faço…. tá tudo tão sem graça….
Eu sei que preciso superar isso e que a vida é isso que eu tenho aqui e que não tem nada além disso e tudo que me falam mas…
Sim eu vou me esforçar pra aceitar e viver o que eu tenho de concreto sem pirar demais… mas se eu pirar demais…