Jun
3
2009
Eu percebo agora claramente que estou em uma fase de mania.
E eu tenho consciência de que eu deveria estar tomando mais remédios…
Hoje eu vejo que o meu comportamento não está 100% dentro do esperado, eu ando meio aérea, dispersa, tenho lapsos de memória, algumas crises que eu já vou explicar e enfim…
Mas o que acontece é que eu consigo perceber isso! E eu estou tentando, eu disse TENTANDO, me controlar. Pois na verdade eu ESTOU tomando remédios e sei que não estou completamente “descontrolada” como eu já estive um dia.
O que eu sinto exatamente é o seguinte: na maior parte do tempo é como se eu estivesse levemente drogada. Levemente!!!!
Não uma droga que deprima. Algo mais excitante mesmo. E tem algumas coisas que agravam essa sensação como por exemplo a música. Se eu escuto uma música alto, que eu gosto em sinto uma espécie de euforia, uma vontade de fazer muitas coisas e na verdade isso fica um pouco fora do meu controle e às vezes chega a ser ruim.
E aí era aonde eu queria chegar. Essa excitação LEVE que eu tenho sentido 24 horas por dia tem o lado negativo de não me dar descanso… Tem alguns momentos que realmente eu fico cansada e queria me sentir mais… mais viva. Mais centrada, mais consciente dos meus atos. Sim! Porque quando eu fico meio “viajando”, eu acabo fazedo algumas coisas que logo em seguida eu mesma questiono o porque de ter feito… Uma coisa que eu faço sem querer (por querer na verdade mas sem conseguir controlar digamos) é dar em cima de pessoas que eu não devia por exemplo. Mas enfim, voltando, quando fica muito pesado e difícil controlar toda a euforia e a vida dentro dos limites por conta própria, eu sinto uma mistura de sentimentos que envolve: a necessidade de ser mais “igual” a todas as outras pessoas; a culpa por estar mais feliz do que eu devia; a vontade de me sentir viva enfim… e a única coisa que alivia a confusão causada por esses sentimentos é a dor física. Que se tornou um vício… Excitação e dor… que combinação trágica… às vezes…
E enquanto isso eu vou vivendo como uma pessoa aparentemente normal. Com algumas exentricidades claro, um pouquinho estranha às vezes, “diferente” aqui ou ali mas nada de mais.
Evitando intimidades ainda, se isolando em alguns momentos sem explicação mas… nada que chame a atenção num mundo de pessoas tão problemáticas.
Viciada em sexo não posso negar, tentando controlar esse vício e não sei se obtendo êxito……. mas sempre lutando contra o instinto e procurando não transparecer nada pra evitar rótulos e…
E dentro da minha cabeça sempre um turbilhão…
As crises que eu mencionei são momentos em que meu pensamento se agita e acelera e tudo fica tão rápido que é como se eu perdesse o controle do pensamento e de repente eu precisasse bater minha cabeça forte na parede pra fazer ela parar de pensar. E como se a realidade fosse se distanciando e se eu fosse me recolhendo pra um mundo próprio que vai se fechando, um mundo só meu e parece que eu vou desmaiar. É parecido com aqueles filmes onde a cena é aceleradae agitada… Os sons somem e fica tudo um zumbido só na minha cabeça. É um sentimento meio desesperador de que eu vou sair desse mundo pra sempre e me fechar… Acontece que graças a Deus eu já descobri depous de alguns “episódios” que pra passar essas crises eu só preciso entrar em contato com algum ser humano. Só isso!!! Porque aí eu volto pra realidade ou sei lá! rss Como se eu me agarrasse naquela pessoa e ela me trouxesse de volta de um abismo. Parece besteira mas é bem ruim… e como eu não quis tomar remédio pra isso tenho que lutar contra sozinha. E sempre acontece de manhã ou à noite quando eu tô sozinha, com uma frequência mais ou menos de uma vez por semana. Mas tô indo bem, já não fico tão nervosa e já que começa procuro alguém.
Já ficou confuso agora…
Mas tudo pra não tomar remédios. Tudo!
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Sep
30
2008
Sabe aquela Pirâmide de Maslow? Aquela que diz que na base estão as necessidades fisiológicas do ser humano, depois as de segurança, aí as sociais, e vai subindo e afinando… enfim, eu me sinto uma viajante dessa pirâmide.
Como se num dia eu acordasse lá em baixo e não me preocupasse com nada, mas nada mesmo se não comer, me manter aquecida e sobreviver.
E outros dias eu acordo com o sentimento de que eu posso mudar o mundo. Sinto a realização pessoal tão intensa que ela chega a transbordar e parece atingir quem está mais próximo.
Acontece que quando eu me sinto como um mendigo, que não se preocupa com mais nada além da sua sobrevivência, eu acabo desprezando as relações com as pessoas que estão próximas a mim. Aí eu fortaleço as relações superficiais, aquelas que me fornecem os “materiais” de que preciso. Aquelas que não exigem discussão, que não precisam ser elaboradas. E muitas vezes aquelas que poderiam acabar em sexo - uma das necessidades básicas por sinal.
Isso parece frieza pra quem vê de fora. A pessoa que não tem sentimentos… Na verdade é só um momento em que não há tempo pra coisas que naquela hora são desnecessárias. Como se você vivesse sempre a última manhã da sua vida. E nada mais importasse.
Outros dias eu acordo querendo discutir cada aspecto de cada detalhe de tudo que possa surgir de bom e de ruim entre eu e você. Eu quero entender a sociedade. Quero salvar o mundo. Quero fazer política. Quero crescer. Não quero ser só mais uma pessoa nesse mundo tão grande. Quero deixar algo de bom. Quero ser exemplo.
Num dia como esses, um dia desses, eu fiz a minha inscrição pro vestibular desse ano pro curso de Sociologia. Sempre pensei nisso mas nunca tive coragem de ir adiante. Pois agora está feita a inscrição. Daqui a mais ou menos um mês vai ser a prova, se eu passar ano que vem começa o curso. Só vou ter que cuidar pra encontrar um equilibrio entre esses meus “dias”… rs
Eu sempre digo que o fato de ver que a coisa acontece já é o primeiro passo.
E aí vai indo.

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Nov
12
2007
Tô furiosa hoje!!! Eu percebo que to sento grossa com as pessoas mas não consigo evitar. Tenho que me esforçar pra ficar quieta porque é melhor.
Não sei porque eu fico assim… Eu sinto um ódio tão grande de todas as pessoas ao meu redor… dá vontade de sumir e ficar sozinha, ir pra praia, pra longe.
Alguns dias não são bons pro convívio. A voz dos pessoas me irrita, o cheiro, tudo.
Que saco…
Sorte que eu sei que passa.
É só esperar.
Vou marcar consulta com outro psiquiatra. Não to muito feliz com o que eu to indo. Quero voltar pro Wirmond, que me tratou bem no início, mas ele não tem convênio e fica tão caro… mas vou lá mesmo assim pelo menos uma vez. Acho mais seguro. To sentindo que as cosias não estão indo muito bem e eu penso demais em parar de tomar o lítio. Eu to confiando que ele vai me ajudar (salvar!)
Queria poder conversar com alguém que me entendesse. EU não tenho amigos. A única pessoa que me ouve e com quem eu possos er eu mesma é a namorada mas as vezes me dá pena dela porque eu vejo que ela não tem mais tanta paciência…
Li um texto, um depoimento talvez não sei como descrever na internet, no site www.bipolaridade.com.br, de uma pessoa que eu não conheço de pseudonimo “leitor” que me chamou a atenção. Ele conseguiu dizer em poucas palavras EXATAMENTE como eu me sinto em relação aos “outros”. Vou copiar aqui, espero que ele não se importe.
“Para um bipolar não há muitas opções, ao meu ver apenas duas:
-Ou vc vive intensamente suas “loucuras” e lógico, as dramáticas conseqüências;
-Ou vc se apega a algum comportamento pré estabelecido tentando,
desesperadamente, nele se manter para não errar e sofrer tanto.
No meu caso, em particular, o caminho escolhido foi o da “conveniência conservadora”
que me permitiu manter o que o senso comum chama de ser “bem sucedido”
(família, profissão, finanças,respeito social, etc) enfim tudo dentro dos padrões.
Mas não são os meus padrões, o meu querer é instável e na maior parte do tempo eu não quero nada!
Nem mesmo transgredir! Não sei lidar com a fraqueza do carácter humano, não gosto de “gente”,
embora sinta pena da condição humana. As minhas ironias e provocações tem dois propósitos:
Contrariar o estabelecido e eliminar a passividade das pessoas, numa tentativa de deixa-las,
talvez, um pouco mais interessantes aos meus olhos. Elas, inclusive vc, não são indefesas por
isso espero que se defendam com dignidade. Se demonstrarem apenas a indiferença sem graça do senso comum,
não haverá surpresa alguma, pois estarão apenas exercendo o livre direito à mesmice!”
Fiquei surpresa… eu poderia ter escrito isso.
Tá aí uma pessoa que eu gostaria de conhecer… e principalmente… deixar me conhecer.
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Nov
8
2007
Acho que até agora não contei sobre minha filha né…Quando eu comecei esse blog eu contei minha vida como era antes de eu descobrir que era bipolar, mas nao dei muitos detalhes sobre a minha filha. Na verdade, no começo eu tava muito grilada com medo que alguem que eu conheço descobrisse esse blog e descobrisse todas as loucuras que eu fiz e tal… agora esse medo passou.
Engraçado, é que nem quando você trai pela primeira vez… Uma paranóia danada… depois vai passando, passando, e aí parece a coisa mais normal do mundo.
Bom nem todo mundo que me conhece, principalmente no trabalho sabe que eu sou casada com uma mulher e iam ficar bem chocados tenho certeza…
Entaõ foi assim. Eu conheci um rapaz, me apaixonei, tudo bem normalzinho. Aí com 18 anos eu fiquei grávida. Meus pais e os pais deles foram muito legais e apoiaram totalmente. A gente casou e minha filha nasceu. Eu curti a gravidez bastante. Normal… A primeira… decepção, acho que é a palavra mais certa, foi na hora do parto. Os médicos tiraram a nene da minha barriga e puseram ela no meu colo pra eu ver. Eu tava esperando sentir aquilo que as mulheres sempre falam desse momento… aí eu olhei pra ela… uma gracinha, mas tava toda sujinha e eu nao senti vontade de chorar nem nada. Me culpei depois por ter sido fria nessa hora…
Aí por dois anos eu morei com ela e o meu marido. Eu nao lembro muito bem desse período não sei porque. Simplesmente apaguei da minha memória… pena.
Eu lembro que de repente eu fui mudando. Comecei a me cuidar, emagrecer, ir na academia… E a minha vaidade tomou conta. Eu já não tinha mais paciência pro meu marido nem pra minha filha. Só queria sair e conquistar as pessoas, o que foi ficando cada vez mais fácil e divertido. Em pouco tempo eu me separei.Aí a minha vida mudou radicalmente.
Eu saia toda noite e dormia de dia. Eu levava a minha filha pra escolinha a tarde, voltava pra casa, dormia umas horas (que já me bastavam), pegava ela e deixava na casa de um dos avós pra poder sair. Aí foi aquela fase que eu contei no começo de muita balada e muito sexo…
Eu era bem rígida com a minha filha. Eu nao tinha paciencia pras coisas de criança dela. Eu brigava com ela e nao admitia choro nem manha… hoje eu vejo que eu era um monstro. Coitadinha… Eu não consigo me lembrar do sentimento amor nessa fase.
Aconteceu mais de uma vez de eu estar em casa a tarde dormindo e perder a hora de buscar ela na escolinha… aí a tia ligava porque só tinha ela lá.
Ela era uma criança que morria de medo de fazer alguma coisa errada. Um medo doentio… Era muito preocupada em me agradar… e ela tinha o que, 3,4 anos…De manha eu dava aula de ingles, e ganhava bem até, mas gastava tudo, até o ultimo centavo.
Depois de um tempo veio a depressão. Aí eu parei de trabalhar vendi tudo e voltei pra casa da minha mãe. Outra vez não tinha tempo pra ela. Aí foi a fase do “mundo virtual”. Ficava a noite na internet e o dia dormindo. Minha mãe começou a criar ela então. Graças a Deus.
Uma vez chamaram na escolinha porque ela tinha muito medo de tudo e eu entendi que era minha culpa…
Eu não tinha mesmo idéia de como criar uma criança. E achava que tava muito certa, que ela seria educada assim. Ela era só uma criança.
Passada essa fase da depressão eu passei num concurso em outra cidade, aí minha mãe assumiu a criação dela de vez. Eu vinha só nos fins de semana, mas nem via ela direito.
Eu tive outra fase de mania, então não ligava pra mais ninguem da minha família. Lembra que eu contei qe um dia do nada fui pra Sao Paulo de aviao ver um guri que eu gostava? Então, eu nao avisei a minha mãe. E essa foi uma de muitas. Eu sumia por dias sem ninguem saber onde eu tava. Claro que a minha filha se apegou a minha mãe. Eu nunca tava lá! Eu não sabia nada dela, doenças, notas, amiguinhos, nada. Nem ligava. Engraçado como eu só pensava em mim… Em me divertir e sentir prazer…
Aí passou mais um tempo - tudo que eu contei no começo do blog - e eu caí em depressão de novo. Fui mandada embora - sem ir pra cadeia graças à Deus! - e voltei pra minha cidade. Não dei bola pra ela de novo…
Aí eu saía a noite de novo e comecei a me envolver com pessoas que me faziam mal… Tava me punindo acho… E aí até eu começar a me tratar e abandonei ela de vez.
Quando o tratamento com o lítio começou a minha vida toda mudou. Acho que já falei sobre isso, quando eu comecei a perceber que eu estava começando a sentir afeto e carinho pelas pessoas… começou com a minha família. Acho que a primeira pessoa que eu me dei conta que eu amava foi o meu pai. Depois a minha filha. Foi como se eu tivesse conhecido ela há pouco tempo, e ela já era uma menina tão linda e inteligente e…
Eu fiquei encantada com ela. No começo foi muito confuso porque eu não sabia controlar o medo de perde-la… eu achava que os 5, 6 anos que eu tinha passado “longe” dela eram muito tempo e que iam fazer falta e… Eu comecei a amá-la… foi tão bom…
Eu achava incrível como ela já tava desenvolvendo a personalidade dela, gostos, manias, e como ela se parecia comigo no jeito de agir!
A gente se aproximou então. Eu logo saí da casa da minha mãe então e fui morar com a minha namorada mas eu ia lá pelo menos uma vez por semana. Era muito comparado com antes… Eu comecei a fazer com que o tempo que eu passava com ela fosse especial e agradavel, ao contrario de antes que eu só brigava. Tudo mudou.
Claro que isso tudo aconteceu aos poucos né… Até hoje as coisas só melhoraram. Ela já tem 10 anos, eu ainda moro com a minha namorada e ela com am inha mãe, mas eu vou lá sempre, a gente sai, conversa, estuda…
Ela me admira muito e sempre diz que quer ser como eu… Tadinha se ela soubesse o que eu passei pra chegar até aqui… Ela fala do meu cabelo, que quer deixar o dela igual, fala que se ela fizer uma tatuagem vai ser igual à minha (a do atomo de litio…), fala que a minha letra é bonita minha mão… enfim… ela é muito querida comigo…
Meu Deus, acho que foi um milagre tudo isso ter acontecido e ela ser como ela é hoje. Ela é muito educada!! Ela não pede de tudo como alguns colegas dela, não desobedece normalmente… Minha mãe fez e faz ainda um trabalho maravilhoso com ela. E hoje eu ajudo acho.
Eu penso que eu não tinha a mínima condição de ter um filho por causa da minha doença. Eu tenho coisas demais na minha cabeça e em alguns momentos fica difícil demais se doar. Um filho demanda doação.
Mesmo hoje, se ela tivesse que morar comigo seria possível, mas sei que não seria tão bom pra ela. Tem dias que eu to pra baixo e não consigo falar com ninguem, tem dias que eu to agitada e nao quero ficar em casa… Minha vida não tem rotinas, e acho que rotinas são muito importantes pra crianças na idade dela.
Hoje eu trabalho o dia todo o que é um grande progresso, mas tenho uma banda e a gente toca a noite em dias variados… É uma vida agitada, com pouco tempo.
E fico feliz em ver que a turbulencia passou e que tudo ficou bem na medida do possível…
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Oct
23
2007
Fazem umas 3 semanas que eu comecei a tomar um remédio chamado Seroquel. É um antipsicótico, mas eu to tomando uma dose beeem pequena, que segundo o meu médico vai ajudar no efeito do lítio.
Tudo isso começou porque a última vez que eu fui no psiquiatra eu falei de verdade tudo que eu tava sentindo. E o que eu tava sentindo era assim, aquele mesmo velho medo de morrer, que tava me atrapalhando porque às vezes era tão forte que me dava falta de ar, e ao mesmo tempo tava sentindo a razão escapar bem de leve… tava sentindo dificuldade pra me concentrar de novo… Pensamentos com relação à sexo… muitos…
Em fim, tava ansiosa e tensa. E aí o médico sugeriu aumentar a dose do lítio. Nem pensar. Eu não vou tomar 900 mg de novo. Não vou. Me senti muito mal da outra vez. E eu engordei… fiquei com espinhas… Eu me importo demais com a minha aparência e isso eu não vou fazer.
Então to tomando esse Seroquel. Cada vez que eu tomo, uns 45 minutos depois fico praticamente dopada. Agora já tá melhorzinho, e passa mais rápido mas nos primeiros dias foi um horror. Eu ficava quase babando. Mas to mais calma (também com tanto sono hehehe). Faz 1 semana mais ou menos que não penso em morte.
Inclusive um colega meu morreu semana passada, e eu fiquei chateada, chorei, perdi a fome no dia, mas nada além do normal. Acho que sem os remédios eu não teria aguentado.
Eu quero, sinceramente, viver sem pensar em quando eu vou morrer. Se não eu não vou viver… Eu sonho direto que eu to voando… Lá em cima, observando tudo que acontece aqui… Como eu gosto de ficar observando… Parece louco e infantil, mas a minha vontade de voar e de subir e de ficar invisível é tão grande que chega a doer…
Eu to escutando uma musica que fala assim… “and pretend that I’m a spaceman, in another place and time”.
Eu me sinto presa nesse mundo, me sinto presa aos remédios, me sinto presa às regras e convenções. Eu odeio convenções. Eu odeio ter que fazer uma coisa só porque todo mundo faz também…
Eu me sinto incompleta… e eu não sei o que falta. Eu não queria ter obrigações com relação a sentimentos. Eu queria sentir e parar de sentir amor a hora que eu quisesse.
O mundo em que eu vivo parece apertado pra mim. Me sufoca às vezes… Casa, trabalho, academia, casa dos pais, bar… É pouco pra mim!!!! E as pessoas… eu não consigo me envolver de verdade com as pessoas… é tudo superficial, ninguém fala a minha língua… parece um emaranhado de mentiras e de coisas tão superficiais que se eu não cuidar fico presa nisso… será que alguém no mundo entende como eu me sinto?
Eu já percebi em poesias e canções que existem algumas que parecem me entender, mas a maioria busca alívio nas drogas ou na bebida… e isso não me basta… remédios como esse que eu to tomando até me acalmam por alguns minutos mas não basta… eu não posso ficar dopada a vida toda pra parar de me sentir presa… melhor seria eu me libertar não é?
Os vinculos emocionais pra mim são tão difíceis de lidar. As vezes eu vou bem, aí de repente vem alguem e fala que eu sou fria, que eu não sou a mesma pessoa de sei lá quando atrás… Que merda. Eu preciso de momentos só pra mim. Eu não devia ter me envolvido com ninguem na vida, mas pai e mãe e filho não tem como fugir…
E amores… ah, amores… nos momentos de fraqueza eles aparecem e quando você vê é tarde demais pra voltar atrás…
Pra onde eu posso fugir, alguém me diz…
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Sep
25
2007
Eu não tenho me sentido bem. As dores de cabeça não passam… eu não consigo relaxar. Agora é o meu estômago que parece que tá virado. Eu sinto enjôos. Tontura… As vezes parece que embaça a minha visão, parece que tem fumaça no ar… como se meus olhos quisessem virar pra dentro e aí eu me sinto estranha… Tô tomando dorflex todo dia… vou ter que fazer alguma coisa…
Ontem fui retocar uma tatuagem e a dor da agulha fez as outras dores passarem… foi tão bom… Não devia ser assim eu suponho.
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Sep
19
2007
Eu procuro sentimentos comuns. Eu me esforço pra sentir coisas que todo mundo sente. Eu gosto de brincar de amar, de brincar de se apaixonar, de brincar de sofrer… mas o meu sofrimento real é não me encontrar, não saber quem eu sou. O meu sofrimento real é pela angústia que eu sinto, pela sensação de estar presa… Eu preciso saber quem eu sou, eu preciso…
Eu não me encaixo em lugar nenhum! Diferentes empregos, diferentes amigos, casas, lugares… e eu não me acho… e a minha vontade de fugir de tudo só cresce…
Eu vivo ilusões, eu brinco de casinha, eu brinco de trabalhar…
Tem coisas demais aqui dentro pra eu ficar reprimindo… Acho que um dia eu vou explodir…
Talvez por isso tanto medo de morrer. E se isso acontecer antes de eu me encontrar?
Eu tenho muita energia guardada e não sei como usar…
A dor física me acalma… Me faz sentir viva…
As vezes me dá vontade de sair correndo sem parar, e às vezes me dá vontade de dormir até a vontade passar.
Eu não sei se parar de tomar o lítio faria eu me sentir mais viva. Talvez nem mudasse nada… Talvez eu só perdesse tudo que eu conquistei até agora… Eu sei que antes dele eu não sentia nada disso.
Eu tento chorar por problemas normais, por pessoas… mas não dá!!! No fundo parece que eu não me importo de verdade. Que eu não amo. Sei lá tudo isso é confuso…
Eu tento parar de pensar que eu quero ficar sozinha mas é difícil. Eu não falo sobre isso com ninguém, quanto mais angústia eu sinto menos eu converso sobre coisas reais. Eu só brinco e falo besteira. E ninguém sabe que por dentro tá queimando… tá doendo.
EU quero fugir daqui… Eu quero saber quem eu sou de verdade!!!!! Eu não pertenço a esse mundo…
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Sep
11
2007
Tô me sentindo bem hoje… me sentindo segura. Acho que hoje não vai acontecer nenhum acidente, nenhuma morte. Não sei se esse prazer é falso e vem só dos presentes que eu ganhei ontem (que foram vários!!!) mas de qualquer forma é bom. Estranho como gastar me deixa bem. Será que libera alguma substância no cérebro, assim como os exercícios?
Hoje de manhã tava pensando sobre ser livre, livre dos remédios e das regras que me prendem. O que será que eu ia fazer se eu fosse realmente livre? Será que não ia continuar a mesma coisa? Será que eu ia mesmo sair pelo mundo ajudando os pobres e necessitados? Eu queria fazer isso mas será que teria mesmo coragem? Eu acho que sim… Quantos riscos de vida reais eu iria correr? Até agora os riscos que eu corri antes de me tratar, riscos mesmo, foram o de se acidentar de carro, que eu não sei até hoje como eu não morri assim… E só eu acho. Porque eu corria o risco de pegar uma doença sexualmente transmissível, mas não era um risco direto. Era mais porque de tanta exposição uma hora pode acontecer mas não quer dizer que ia… E a necessidade de dinheiro fazia eu correr o risco de roubar, ou de me envolver com pessoas perigosas mas aí também… Será????
Não sei se é por isso tudo que hoje eu tenho tanto medo de morrer.
E se eu tenho tanto medo de ser esquecida porque eu não deixo as pessoas se aproximarem de mim??? Essa seria a melhor forma de ser lembrada não?
Eu sei que a minha filha nunca vai me esquecer e isso me conforta…
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Sep
10
2007
As vezes eu me sinto tão presa… parece que eu to presa dentro da minha cabeça… será que um dia eu fui livre? Eu não sei se quando eu fazia tudo que eu tinha vontade eu era realmente livre. O Ni me disse que liberdade é quando você não invade o limite dos outros. Eu não sei se eu fazia isso… Magoar os outros é invadir a liberdade deles? As pessoas se magoam porque querem! Eu era uma pessoa promíscua porque eu fazia o que eu tinha vontade? Será que eu ia mesmo acabar morendo de alguma doença? As pessoas sentem vontades, só que reprimem por que alguem disse que pode ou não pode. Acho que já houveram épocas em que as coisas eram bem diferentes. Eu vi aquele filme ontem… O Libertino e… me identifiquei tanto com ele… se eu falar isso pra alguém vão achar um absurdo…
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Aug
29
2007
Não sei se eu to melhor ou não… Quando eu me distraio parece que tá tudo bem, mas se eu começo a pensar em morte começa a me dar falta de ar…
Ontem eu conversei um pouco sobre isso lá em casa. Quando eu falo parece infantil… mas o medo de ir embora daqui, de não estar aqui pra ver as coisas acontecerem me deixa tonta…
Eu não quero morrer…
Não sem ter feito coisas maiores…
Eu vou começar um trabalho voluntário… quem sabe ajudando quem precisa eu não sinta tanta culpa por passar pelo mundo sem fazer diferença.
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