Apr 10 2007

…continuando…

Bom, aí o que aconteceu foi que o dinheiro começou a faltar. Não dava pra continuar naquele ritmo com o que eu ganhava. E cada dia eu gastava mais… Esse foi um período onde eu abandonei completamente a minha família. Eu nunca ligava, não me interessava por eles. Por ninguém na verdade. Eu ficava muito tempo sozinha, a minha independência era muito valiosa pra mim e eu não criava vinculo afetivo com ninguém. Muitas vezes ninguém sabia onde eu estava…
Por dias…

Aí como eu gastava tudo que eu ganhava e mais um pouco, eu já tinha dado muitos cheques pre datados e tinha contas no cartão, então fiz um empréstimo. Como eu trabalhava no banco foi bem fácil. Claro que o dinheiro acabou de novo então eu  aumentei o meu limite  e fiz mais um empréstimos. Em menos de 1 mês eu já estava devendo mais de bastante dinheiro.E eu achava que logo eu pagaria isso, parcelado. Eu achava que nem ia sentir. Engano meu. Precisava de mais.  E eu ia gastando sem perceber, e sem comprar nada caro, que eu pudesse dizer “olha o que eu comprei”. Eu gastava em coisinhas… Eu entrava no shopping e rapidinho tinha gasto mil reais. Presentinhos de monte… Gastei tudo que eu tinha de novo. Mais empréstimos. Mais dinheiro. E eu gastando e gastando. Eu tinha 4 ou 5 casos ao mesmo tempo, eu viajava praticamente todos os dias, 100 km pra ir e 100 pra voltar. Corria demais… Eu rodei na estrada várias vezes. Nada me assustava, eu não sentia medo. Eu sentia que as pessoas confiavam em mim. No banco eu tinha a senha de vários funcionários…
Eu trabalhei um tempo na tesouraria e eu abria o cofre de manhã… Eu trabalhava umas 10 horas por dia e produzia mais do que ninguém… E eu comecei a sentir que eu não estava sendo bem “remunerada” pra trabalhar tanto. E eu precisava de mais dinheiro… Aí eu pirei… achei que eu podia fazer algumas coisas porque eu merecia. Eu sinceramente na época achava que o que eu estava fazendo não era errado. Eu achava que as pessoas tinham convencionado que era errado só pra não virar bagunça, mas que eu era superior a tudo isso. Eu achava que eu era injustiçada por trabalhar tanto e ganhar pouco, então resolvi ser minha “própria chefe”. Mas ninguém podia saber né…  Eu não vou dar detalhes do que aconteceu por que acho que não devo, mas acabei fazendo algo que “não devia” e varias pessoas acabaram se envolvendo. Em poucos meses eu gastei MUITO dinheiro… . Eu juro pra você que não sei onde eu pus esse dinheiro. Eu só sei que quanto mais eu tivesse mais eu gastaria. E eu ainda me achava tão superior a todos lá… .
Enquanto isso na minha cidade eu já tinha aprontado tanto com relação à sexo que estava saindo com mulheres pra variar.
Mais ou menos 1 mes depois de eu toda cnfusão acontecer a minha euforia parece que começou a passar.
E rapidamente eu comecei a relaxar, não ligava mais pra muita coisa. Não demorou muito pra descobrirem tudo. Eu lembro que me chamaram numa salinha e eu só confirmei. Aí o meu mundo desabou. No início eu não estava ligando muito, mas me falavam direto em polícia e eu comecei a me assustar. Me mandaram pro psiquiatra, eu ia lá 2 vezes por semana. E ele não descobria nada porque eu não falava. Eu achava um absurdo me enquadrarem nas leis dos “homens”. Eu me achava um ser superior. No fim de tudo não me aconteceu nada, porque tinha muita gente envolvida, aqueles que confiavam em mim, e tudo foi arquivado. Ninguém comentava o assunto porque se viesse a tona varias pessoas seriam mandadas embora. Gerentes inclusive. Eles gostavam tanto de mim que não acreditavam no que tinha acontecido. E no fim tanta gente estava envolvida sem querer… por dividir senha e por ter confiado…
Então a minha depressão começou. Eu não aceitava no que me diziam. Queria provar que eu estava certa e não conseguia. Comecei a tomar antidepressivos e logo eu comecei a falar, e o psiquiatra me disse que eu era Bipolar.


Mar 30 2007

A pior fase

Aí depois de uma fase de mania onde parece que sexo foi o “tema”, eu tive uma fase de depressão que durou uns 6 meses também. Eu parei de trabalhar, o dinheiro foi acabando e eu nem me importava… Voltei pra casa dos meus pais porque não tinha mais como me manter. Eu ficava a noite toda na internet e o dia todo dormindo. Eu tinha uma vida virtual, e na real era como se eu não existisse. Era muito fácil porque se eu tinha algum problema no mundo virtual eu só desligava o computador e dormia…
Aí eu estourei contas de telefone (coitado do meu pai…) porque eu tinha amigos no exterior pros quais eu ligava e chorava porque eles não podiam vir me buscar. Eu vivia uma vida imaginária.
Eu achava que se eu fosse embora pro país de algum dos meus “namorados virtuais” minha vida seria melhor, e tudo passaria… E eu queria ir mas meu dinheiro tinha literalmente acabado. Eu não tinha mais nada.
Eu parei de pintar o cabelo, de me cuidar, engordei… Quando eu estava na fase de mania, eu não comia nem dormia, e fiquei magra e bonita. Depois eu tava um lixo!
A minha família eu praticamente ignorava. Não falava com eles. Nem com ninguém pra falar a verdade. Só internet…
Aí depois de uns meses assim, a minha depressão foi passando… Eu fui me reestabelecendo, comecei a pensar em trabalhar de novo. Fiz um concurso e passei. Logo me chamaram pra trabalhar e a loucura começou de novo…
Eu trabalhava em outra cidade, a mais ou menos 100 km da minha, e lá eu não conhecia ninguém.  O problema é que ficar sozinha sempre ajudou  pra que eu tivesse  idéias malucas.
Bom, aí veio o período crítico da minha vida que fez eu descobrir minha doença. Eu comecei a trabalhar e em muito pouco tempo eu já era bem conhecida no meu local de trabalho. Haviam mais ou menos 50 funcionários, era uma agência bancária. Dizem que alguns bipolares são gênios não é? Pois eu não sei no que eu poderia ser um gênio se não na “arte” de manipular as pessoas, de enganar, seduzir, conquistar. Eu fazia o que fosse preciso pra ganhar alguém. E eu escolhi o lado certo nessa agência, o lado dos que tinham poder. Eu era muito querida por eles. Pra cada pessoa eu interpretava um papel. Pra um eu era como uma filha, pro outro amante, pra um eu era amiga, pro outro a pobrezinha que precisava de apoio… Eu era quem você precisasse que eu fosse. Logo eu comecei a ter promoções. Eu tinha acessos à informações que eu não devia, a “turminha” que eu fazia parte confiava em mim completamente. E eu tinha 21 anos… Eu fazia a função de gerente de 6 ou 7 funcionários que tinham mais tempo de casa do que eu de idade! E eu era muito boa no que eu fazia. Eu resolvia os problemas que apareciam pra eu resolver, sempre de forma rápida e eficiente. E isso impressionava… No tempo que os funcionários atendiam 1 cliente eu atendia 5. E ainda vendia alguma coisa pra cada um deles. E eu trabalhava tipo 12 horas por dia… sem cansar!
E fora dali as coisas já estavam mostrando que eu tinha algum problema. Eu tinha vários casos amorosos. Desde pessoas muito importantes na cidade até ofice boys mais novos do que eu. E eu saía com um cada dia… Fora os da minha cidade que eu encontrava ns fins de semana ou às vezes durante a semana quando eu voltava.
Me lembro uma vez eu estava perto de casa no carro e passou uma caminhonete que parou… Dois homens dentro. Perguntaram porque eu estava com cara de triste e eu disse que era por causa de uma mulher que não me queria… um deles falou que queria me conhecer e nem lembro mais o que e me deu o telefone. Quando eu cheguei na cidade que eu trabalhava (ficava a 1h e pouco de distância da minha) eu liguei pra ele e ele foi até a minha cidade. Era um homem estranho… do tipo que que hoje eu nem olho por segurança. Resumindo, esse virou um dos meus casinhos que durou até a mania passar. Era assim, sem mais nem menos eu me envolvia com alguém.
Como ele tinham outros…
Lá onde eu trabalhava eu comecei a ganhar mais por causa das promoções, e aí o dinheiro começou a não chegar. Eu comprava de tudo… Pra você ter uma idéia, um dia eu esqueci de levar o secador de cabelo pra casa onde eu ia dormir, comprei outro. Entrei numa loja de colchões pra falar com um conhecido, saí de lá com um colchão novo. (eu já tinha colchão, e comprei outro sem ncessidade nenhuma!).
Uma vez eu tinha um baile pra ir na cidadezinha e não tinha vestido. Eu podia ter emprestado, ou comprado um lá mesmo, mas não. Eu saí do trabalho, viajei os 100 km, fui num shopping, comprei um vestido novo sem prestar atenção no preço. Aí eu podia ter voltado, mas eu passei na frente do salão e resolvi fazer um penteado. Aí resolvi fazer a maquiagem (que não sai barato!) E voltei pra cidade onde trabalhava toda pronta. Mais 100 km, mais um pedágio. Não saiu barata essa brincadeira. Aí fui na festa, fiquei lá uma meia hora e resolvi ir embora porque o “rapaz” que eu queria que me visse não estava lá! Outra vez, eu resolvi que precisava de lençóis novos. Só que já era meio tarde e as lojas lá já tinham fechado. Ao invés de esperar o outro dia, peguei o carro e vim correndo pra cá, 100km de novo, fui até um shopping (que fecham as 10:00) e achei uma loja de lençóis. Era uma loja bem cara. Resultado: saí de lá com tudo que você possa imaginar que vai numa cama. Lençol, edredom, travesseiros, até umas saias que enfeitam… Me lembro que custou uns 600, … mais a gasolina, mais o pedágio… E eu ganhava em torno de 1200,00, às vezes um pouco mais.
Eu tinha uma amiga lá que tinha um cabelo estranho, resolvi trazer ela pra minha cidade e levar num salão legal pra ela ficar bonita. Assim sem mais nem menos gastei um montão com ela! Eu gastava com todos… Pagava comida, dava presentes, motéis…
Outra vez eu estava na minha cidade e comecei a sentir saudades de um namoradinho de infância que mora em São Paulo. Não demorou meia hora eu peguei o carro, fui até o aeroporto, deixei o carro lá estacionado comprei uma passagem pra São Paulo e fui! Sem avisar ninguém! Cheguei lá me hospedei num hotel perto da casa dele e liguei… e ele estava saindo de viagem. Eu não consegui vê-lo. Aí passeei, fiz compras, e no outro dia voltei.
Eu fazia o que me dava vontade, o que me vinha na cabeça, sem pensar antes, sem pensar no custo, sem avisar ninguém.
E as dívidas começando…quando eu viajava, eu andava sempre a 160 km/h, 120 na serra… Eu corria muito. A velocidade me alucinava! Eu rodei na pista várias vezes… bati várias vezes. Cheguei perto de cair em barrancos, bati sozinha… eu não tinha medo! A velocidade me excitava! E eu andava feito louca. Engraçado que depois do remédio eu fiquei com um trauma de velocidade… No começo (hoje) não conseguia viajar de carro com outros dirigindo, passava mal… vomitava. Eu demorei pra superar tudo aquilo que eu fiz. Até pouco tempo atrás quando vinha uma curva eu sentia que ia vomitar. Hoje já tô bem melhor. Isso da alta velocidade eu acho que foi uma das coisas mais importantes que o remédio me fez ver. Porque logo eu ia me acidantar feio, e não quero nem pensar no que podia acontecer…
Amanhã eu continuo contando essa história que ela é looonga!


Mar 29 2007

Terapia please!!!!!

Eu preciso fazer terapia urgente!!!!!!!!!! Tá tudo muito confuso… Acho que se eu não estivesse tomando remédio hoje eu estaria numa fase de mania daquelas… Eu sinto como se a mania fosse uma droga, como se eu estivesse drogada o dia todo. Uma droga que me deixa pra cima, me deixa feliz, me dá coragem, me deixa sexy, segura… E é tão bom!!! Eu sinto saudades dessas épocas. Engraçado, eu faço de tudo pra ser aceita né! Eu tomo um remédio que corta o meu “barato”, porque eu preciso me encaixar no padrão de normalidade da sociedade. Ninguém sugeriu se adaptar a mim. Só porque eu sou minoria… Que saco… Eu vejo na internet tantos depoimentos de bipolares felizes com a medicação, dizendo que o remédio é amigo, pra mim parece que ele é amigo da minha família, dos meus amigos etc. SIm porque quem sofreu mais com a minha doença foram eles eu acho. Eu sei que eu tive fases de depressão, mas eu já tinha me acostumado com elas, e já tinha percebido que elas eram passageiras! Eu sabia que logo ia passar. A última delas foi pior um pouco e eu tomei antidepressivos, mas tenho certeza que se eu tivesse esperado teria passado. Engraçado que as minhas maiores lembranças são das manias. As depressões e meio que “deletei”! Talvez seja porque eu tô meio eufórica agora. Depois eu escrevo mais.