Jun 3 2009

A fase da mania

Eu percebo agora claramente que estou em uma fase de mania.
E eu tenho consciência de que eu deveria estar tomando mais remédios…
Hoje eu vejo que o meu comportamento não está 100% dentro do esperado, eu ando meio aérea, dispersa, tenho lapsos de memória, algumas crises que eu já vou explicar e enfim…
Mas o que acontece é que eu consigo perceber isso! E eu estou tentando, eu disse TENTANDO, me controlar. Pois na verdade eu ESTOU tomando remédios e sei que não estou completamente “descontrolada” como eu já estive um dia.
O que eu sinto exatamente é o seguinte: na maior parte do tempo é como se eu estivesse levemente drogada. Levemente!!!!
Não uma droga que deprima. Algo mais excitante mesmo. E tem algumas coisas que agravam essa sensação como por exemplo a música. Se eu escuto uma música alto, que eu gosto em sinto uma espécie de euforia, uma vontade de fazer muitas coisas e na verdade isso fica um pouco fora do meu controle e às vezes chega a ser ruim.
E aí era aonde eu queria chegar. Essa excitação LEVE que eu tenho sentido 24 horas por dia tem o lado negativo de não me dar descanso… Tem alguns momentos que realmente eu fico cansada e queria me sentir mais… mais viva. Mais centrada, mais consciente dos meus atos. Sim! Porque quando eu fico meio “viajando”, eu acabo fazedo algumas coisas que logo em seguida eu mesma questiono o porque de ter feito… Uma coisa que eu faço sem querer (por querer na verdade mas sem conseguir controlar digamos) é dar em cima de pessoas que eu não devia por exemplo. Mas enfim, voltando, quando fica muito pesado e difícil controlar toda a euforia e a vida dentro dos limites por conta própria, eu sinto uma mistura de sentimentos que envolve: a necessidade de ser mais “igual” a todas as outras pessoas; a culpa por estar mais feliz do que eu devia; a vontade de me sentir viva enfim… e a única coisa que alivia a confusão causada por esses sentimentos é a dor física. Que se tornou um vício… Excitação e dor… que combinação trágica… às vezes…

E enquanto isso eu vou vivendo como uma pessoa aparentemente normal. Com algumas exentricidades claro, um pouquinho estranha às vezes, “diferente” aqui ou ali mas nada de mais.
Evitando intimidades ainda, se isolando em alguns momentos sem explicação mas… nada que chame a atenção num mundo de pessoas tão problemáticas.
Viciada em sexo não posso negar, tentando controlar esse vício e não sei se obtendo êxito……. mas sempre lutando contra o instinto e procurando não transparecer nada pra evitar rótulos e…
E dentro da minha cabeça sempre um turbilhão…

As crises que eu mencionei são momentos em que meu pensamento se agita e acelera e tudo fica tão rápido que é como se eu perdesse o controle do pensamento e de repente eu precisasse bater minha cabeça forte na parede pra fazer ela parar de pensar. E como se a realidade fosse se distanciando e se eu fosse me recolhendo pra um mundo próprio que vai se fechando, um mundo só meu e parece que eu vou desmaiar. É parecido com aqueles filmes onde a cena é aceleradae agitada… Os sons somem e fica tudo um zumbido só na minha cabeça. É um sentimento meio desesperador de que eu vou sair desse mundo pra sempre e me fechar… Acontece que graças a Deus eu já descobri depous de alguns “episódios” que pra passar essas crises eu só preciso entrar em contato com algum ser humano. Só isso!!! Porque aí eu volto pra realidade ou sei lá! rss Como se eu me agarrasse naquela pessoa e ela me trouxesse de volta de um abismo. Parece besteira mas é bem ruim… e como eu não quis tomar remédio pra isso tenho que lutar contra sozinha. E sempre acontece de manhã ou à noite quando eu tô sozinha, com uma frequência mais ou menos de uma vez por semana. Mas tô indo bem, já não fico tão nervosa e já que começa procuro alguém.
Já ficou confuso agora…
Mas tudo pra não tomar remédios. Tudo!


Mar 30 2007

A pior fase

Aí depois de uma fase de mania onde parece que sexo foi o “tema”, eu tive uma fase de depressão que durou uns 6 meses também. Eu parei de trabalhar, o dinheiro foi acabando e eu nem me importava… Voltei pra casa dos meus pais porque não tinha mais como me manter. Eu ficava a noite toda na internet e o dia todo dormindo. Eu tinha uma vida virtual, e na real era como se eu não existisse. Era muito fácil porque se eu tinha algum problema no mundo virtual eu só desligava o computador e dormia…
Aí eu estourei contas de telefone (coitado do meu pai…) porque eu tinha amigos no exterior pros quais eu ligava e chorava porque eles não podiam vir me buscar. Eu vivia uma vida imaginária.
Eu achava que se eu fosse embora pro país de algum dos meus “namorados virtuais” minha vida seria melhor, e tudo passaria… E eu queria ir mas meu dinheiro tinha literalmente acabado. Eu não tinha mais nada.
Eu parei de pintar o cabelo, de me cuidar, engordei… Quando eu estava na fase de mania, eu não comia nem dormia, e fiquei magra e bonita. Depois eu tava um lixo!
A minha família eu praticamente ignorava. Não falava com eles. Nem com ninguém pra falar a verdade. Só internet…
Aí depois de uns meses assim, a minha depressão foi passando… Eu fui me reestabelecendo, comecei a pensar em trabalhar de novo. Fiz um concurso e passei. Logo me chamaram pra trabalhar e a loucura começou de novo…
Eu trabalhava em outra cidade, a mais ou menos 100 km da minha, e lá eu não conhecia ninguém.  O problema é que ficar sozinha sempre ajudou  pra que eu tivesse  idéias malucas.
Bom, aí veio o período crítico da minha vida que fez eu descobrir minha doença. Eu comecei a trabalhar e em muito pouco tempo eu já era bem conhecida no meu local de trabalho. Haviam mais ou menos 50 funcionários, era uma agência bancária. Dizem que alguns bipolares são gênios não é? Pois eu não sei no que eu poderia ser um gênio se não na “arte” de manipular as pessoas, de enganar, seduzir, conquistar. Eu fazia o que fosse preciso pra ganhar alguém. E eu escolhi o lado certo nessa agência, o lado dos que tinham poder. Eu era muito querida por eles. Pra cada pessoa eu interpretava um papel. Pra um eu era como uma filha, pro outro amante, pra um eu era amiga, pro outro a pobrezinha que precisava de apoio… Eu era quem você precisasse que eu fosse. Logo eu comecei a ter promoções. Eu tinha acessos à informações que eu não devia, a “turminha” que eu fazia parte confiava em mim completamente. E eu tinha 21 anos… Eu fazia a função de gerente de 6 ou 7 funcionários que tinham mais tempo de casa do que eu de idade! E eu era muito boa no que eu fazia. Eu resolvia os problemas que apareciam pra eu resolver, sempre de forma rápida e eficiente. E isso impressionava… No tempo que os funcionários atendiam 1 cliente eu atendia 5. E ainda vendia alguma coisa pra cada um deles. E eu trabalhava tipo 12 horas por dia… sem cansar!
E fora dali as coisas já estavam mostrando que eu tinha algum problema. Eu tinha vários casos amorosos. Desde pessoas muito importantes na cidade até ofice boys mais novos do que eu. E eu saía com um cada dia… Fora os da minha cidade que eu encontrava ns fins de semana ou às vezes durante a semana quando eu voltava.
Me lembro uma vez eu estava perto de casa no carro e passou uma caminhonete que parou… Dois homens dentro. Perguntaram porque eu estava com cara de triste e eu disse que era por causa de uma mulher que não me queria… um deles falou que queria me conhecer e nem lembro mais o que e me deu o telefone. Quando eu cheguei na cidade que eu trabalhava (ficava a 1h e pouco de distância da minha) eu liguei pra ele e ele foi até a minha cidade. Era um homem estranho… do tipo que que hoje eu nem olho por segurança. Resumindo, esse virou um dos meus casinhos que durou até a mania passar. Era assim, sem mais nem menos eu me envolvia com alguém.
Como ele tinham outros…
Lá onde eu trabalhava eu comecei a ganhar mais por causa das promoções, e aí o dinheiro começou a não chegar. Eu comprava de tudo… Pra você ter uma idéia, um dia eu esqueci de levar o secador de cabelo pra casa onde eu ia dormir, comprei outro. Entrei numa loja de colchões pra falar com um conhecido, saí de lá com um colchão novo. (eu já tinha colchão, e comprei outro sem ncessidade nenhuma!).
Uma vez eu tinha um baile pra ir na cidadezinha e não tinha vestido. Eu podia ter emprestado, ou comprado um lá mesmo, mas não. Eu saí do trabalho, viajei os 100 km, fui num shopping, comprei um vestido novo sem prestar atenção no preço. Aí eu podia ter voltado, mas eu passei na frente do salão e resolvi fazer um penteado. Aí resolvi fazer a maquiagem (que não sai barato!) E voltei pra cidade onde trabalhava toda pronta. Mais 100 km, mais um pedágio. Não saiu barata essa brincadeira. Aí fui na festa, fiquei lá uma meia hora e resolvi ir embora porque o “rapaz” que eu queria que me visse não estava lá! Outra vez, eu resolvi que precisava de lençóis novos. Só que já era meio tarde e as lojas lá já tinham fechado. Ao invés de esperar o outro dia, peguei o carro e vim correndo pra cá, 100km de novo, fui até um shopping (que fecham as 10:00) e achei uma loja de lençóis. Era uma loja bem cara. Resultado: saí de lá com tudo que você possa imaginar que vai numa cama. Lençol, edredom, travesseiros, até umas saias que enfeitam… Me lembro que custou uns 600, … mais a gasolina, mais o pedágio… E eu ganhava em torno de 1200,00, às vezes um pouco mais.
Eu tinha uma amiga lá que tinha um cabelo estranho, resolvi trazer ela pra minha cidade e levar num salão legal pra ela ficar bonita. Assim sem mais nem menos gastei um montão com ela! Eu gastava com todos… Pagava comida, dava presentes, motéis…
Outra vez eu estava na minha cidade e comecei a sentir saudades de um namoradinho de infância que mora em São Paulo. Não demorou meia hora eu peguei o carro, fui até o aeroporto, deixei o carro lá estacionado comprei uma passagem pra São Paulo e fui! Sem avisar ninguém! Cheguei lá me hospedei num hotel perto da casa dele e liguei… e ele estava saindo de viagem. Eu não consegui vê-lo. Aí passeei, fiz compras, e no outro dia voltei.
Eu fazia o que me dava vontade, o que me vinha na cabeça, sem pensar antes, sem pensar no custo, sem avisar ninguém.
E as dívidas começando…quando eu viajava, eu andava sempre a 160 km/h, 120 na serra… Eu corria muito. A velocidade me alucinava! Eu rodei na pista várias vezes… bati várias vezes. Cheguei perto de cair em barrancos, bati sozinha… eu não tinha medo! A velocidade me excitava! E eu andava feito louca. Engraçado que depois do remédio eu fiquei com um trauma de velocidade… No começo (hoje) não conseguia viajar de carro com outros dirigindo, passava mal… vomitava. Eu demorei pra superar tudo aquilo que eu fiz. Até pouco tempo atrás quando vinha uma curva eu sentia que ia vomitar. Hoje já tô bem melhor. Isso da alta velocidade eu acho que foi uma das coisas mais importantes que o remédio me fez ver. Porque logo eu ia me acidantar feio, e não quero nem pensar no que podia acontecer…
Amanhã eu continuo contando essa história que ela é looonga!


Mar 29 2007

Terapia please!!!!!

Eu preciso fazer terapia urgente!!!!!!!!!! Tá tudo muito confuso… Acho que se eu não estivesse tomando remédio hoje eu estaria numa fase de mania daquelas… Eu sinto como se a mania fosse uma droga, como se eu estivesse drogada o dia todo. Uma droga que me deixa pra cima, me deixa feliz, me dá coragem, me deixa sexy, segura… E é tão bom!!! Eu sinto saudades dessas épocas. Engraçado, eu faço de tudo pra ser aceita né! Eu tomo um remédio que corta o meu “barato”, porque eu preciso me encaixar no padrão de normalidade da sociedade. Ninguém sugeriu se adaptar a mim. Só porque eu sou minoria… Que saco… Eu vejo na internet tantos depoimentos de bipolares felizes com a medicação, dizendo que o remédio é amigo, pra mim parece que ele é amigo da minha família, dos meus amigos etc. SIm porque quem sofreu mais com a minha doença foram eles eu acho. Eu sei que eu tive fases de depressão, mas eu já tinha me acostumado com elas, e já tinha percebido que elas eram passageiras! Eu sabia que logo ia passar. A última delas foi pior um pouco e eu tomei antidepressivos, mas tenho certeza que se eu tivesse esperado teria passado. Engraçado que as minhas maiores lembranças são das manias. As depressões e meio que “deletei”! Talvez seja porque eu tô meio eufórica agora. Depois eu escrevo mais.

Mar 22 2007

…continuando…

A fase da mania era sempre divertida…
Eu não sei o que se passava na minha cabeça… eu sei que foram uns 6 meses de muito sexo. Eu não tinha limites… Eu transei com tanta gente… Com amigos, alunos, desconhecidos… Eu paquerava homens no transito e acabava na cama. Uma vez eu passei o carnaval com uns amigos de infância… 4 amigos. Em menos de 1 mês eu transei com todos. Eu não ligava pro que eles ia falar… Claro que eles falavam um monte e eu devia ligar!! 
 Hoje eu tenho vergonha, encontrei um deles no posto esses dias e virei a cara, nem cumprimentei. Eu não acho certo o que eu fazia. Mas na hora eu nem ligava. Eu ia à um bar e ficava com 2, 3 caras. E eu saia quase toda noite. Eu não tinha dificuldade nenhuma em conquistar os homens. Era fácil, e depois se eles me ligavam eu sumia. Não me envolvia com ninguém. Eu não conseguia controlar a minha libido!
Um dia eu fui num bar. Eu saia muito sozinha, porque eu gostava (gosto até hoje) de ficar só observando as pessoas, de não ter o compromisso de conversar e de participar… então um dia eu saí sozinha, dancei a noite toda e de madrugada já eu tava passando por um outro bar no caminho de casa e resolvi parar. Cheguei lá tinha pouca gente e a banda tocando. Eu comecei a olhar pro cantor… aí fiquei olhando e tal, no fim fui falar com ele. Esperei a namorada ir embora e falei que eu levava ele pra casa. Levei pra minha. Já eram umas 4, 5 da manhã. Aí depois de tudo ter rolado deixei ele em casa e fui trabalhar. Eu não sabia nem o nome dele. Hoje eu sei o nome artistico que ele usa, mas o nome mesmo até hoje não sei…
Tantas histórias de saídas e sempre relacionadas a sexo e pessoas desconhecidas que se fosse contar cada história ia faltar “papel” rss…

Mar 21 2007

Mais uma mania

Bom aí o que aconteceu foi que eu me casei, tive 1 filho, fiquei alguns poucos anos casada e de repente… cansei. Engraçado, você vive com uma pessoa, conhece ela e deixa ela te conhecer, divide momentos bons e ruins, e de repente do nada isso tudo perde o valor e você se cansa, e joga tudo pro alto! Foi o que eu fiz. De repente parei de me importar… Eu cansei, queria coisas novas, diferentes. Aí eu fiquei morendo sozinha. Com a filha, que eu daixava direto na minha mãe. Eu comecei a sair toda noite. Eu trabalhava de manhã, dormia a tarde e saia a noite. É meio difícil de contar isso masmo aqui porque eu tenho medo da reação da minha família se um dia ela ler. Eu procuro pensar que eles não vão ler mas ainda assim dá um medo… Não queria magoá-los. Eu fiz muita besteira nessa época. Saí com muita gente… Parecia que eu nunca tava satisfeita… queria sempre mais… No trabalho eu era relaxada, chegava morrendo de sono… Uma vez eu fui trabalhar no sábado de manhã quase sem dormir. Eu tinha que aplicar uma prova (eu dava aula) e eu abaixei a cabeça atrás de um livro enquanto os alunos faziam a prova… e dormi! Quando eu acordei metade já tinha acabado e entregado a prova… que vergonha. Na hora nem dei bola mas hoje eu vejo, quanta irresponsabilidade!
Se eu começava a frequentar um bar, logo eu tinha que parar porque eu já tinha ficado com tantos homens lá que não dava mais. Tinha um bar que eu ia sempre, e aí eu estava afim de um segurança lá. Um dia eu consegui fazer um esquema pra ele, uma garçonete e mais 2 seguranças irem pra minha casa. De madrugada, de repente tava lá, todo mundo beijando todo mundo…  Foi uma bagunça… E pra mim tava valendo tudo. Eu não achava nada estranho nem exagerado. Depois disso o clima ficou estranho entre eles e eu perdi o contato. Manuela era o nome a menina… engraçado…