Oct 23 2007

Seroquel

Fazem umas 3 semanas que eu comecei a tomar um remédio chamado Seroquel. É um antipsicótico, mas eu to tomando uma dose beeem pequena, que segundo o meu médico vai ajudar no efeito do lítio.
Tudo isso começou porque a última vez que eu fui no psiquiatra eu falei de verdade tudo que eu tava sentindo. E o que eu tava sentindo era assim, aquele mesmo velho medo de morrer, que tava me atrapalhando porque às vezes era tão forte que me dava falta de ar, e ao mesmo tempo tava sentindo a razão escapar bem de leve… tava sentindo dificuldade pra me concentrar de novo… Pensamentos com relação à sexo… muitos…
Em fim, tava ansiosa e tensa. E aí o médico sugeriu aumentar a dose do lítio. Nem pensar. Eu não vou tomar 900 mg de novo. Não vou. Me senti muito mal da outra vez. E eu engordei… fiquei com espinhas… Eu me importo demais com a minha aparência e isso eu não vou fazer.
Então to tomando esse Seroquel. Cada vez que eu tomo, uns 45 minutos depois fico praticamente dopada. Agora já tá melhorzinho, e passa mais rápido mas nos primeiros dias foi um horror. Eu ficava quase babando. Mas to mais calma (também com tanto sono hehehe). Faz 1 semana mais ou menos que não penso em morte.
Inclusive um colega meu morreu semana passada, e eu fiquei chateada, chorei, perdi a fome no dia, mas nada além do normal. Acho que sem os remédios eu não teria aguentado.
Eu quero, sinceramente, viver sem pensar em quando eu vou morrer. Se não eu não vou viver… Eu sonho direto que eu to voando… Lá em cima, observando tudo que acontece aqui… Como eu gosto de ficar observando… Parece louco e infantil, mas a minha vontade de voar e de subir e de ficar invisível é tão grande que chega a doer…
Eu to escutando uma musica que fala assim… “and pretend that I’m a spaceman, in another place and time”.
Eu me sinto presa nesse mundo, me sinto presa aos remédios, me sinto presa às regras e convenções. Eu odeio convenções. Eu odeio ter que fazer uma coisa só porque todo mundo faz também…
Eu me sinto incompleta… e eu não sei o que falta. Eu não queria ter obrigações com relação a sentimentos. Eu queria sentir e parar de sentir amor a hora que eu quisesse.
O mundo em que eu vivo parece apertado pra mim. Me sufoca às vezes… Casa, trabalho, academia, casa dos pais, bar… É pouco pra mim!!!! E as pessoas… eu não consigo me envolver de verdade com as pessoas… é tudo superficial, ninguém fala a minha língua… parece um emaranhado de mentiras e de coisas tão superficiais que se eu não cuidar fico presa nisso… será que alguém no mundo entende como eu me sinto?
Eu já percebi em poesias e canções que existem algumas que parecem me entender, mas a maioria busca alívio nas drogas ou na bebida… e isso não me basta… remédios como esse que eu to tomando até me acalmam por alguns minutos mas não basta… eu não posso ficar dopada a vida toda pra parar de me sentir presa… melhor seria eu me libertar não é?
Os vinculos emocionais pra mim são tão difíceis de lidar. As vezes eu vou bem, aí de repente vem alguem e fala que eu sou fria, que eu não sou a mesma pessoa de sei lá quando atrás… Que merda. Eu preciso de momentos só pra mim. Eu não devia ter me envolvido com ninguem na vida, mas pai e mãe e filho não tem como fugir…
E amores… ah, amores… nos momentos de fraqueza eles aparecem e quando você vê é tarde demais pra voltar atrás…
Pra onde eu posso fugir, alguém me diz…

Sep 11 2007

Dias bons

Tô me sentindo bem hoje… me sentindo segura. Acho que hoje não vai acontecer nenhum acidente, nenhuma morte. Não sei se esse prazer é falso e vem só dos presentes que eu ganhei ontem (que foram vários!!!) mas de qualquer forma é bom. Estranho como gastar me deixa bem. Será que libera alguma substância no cérebro, assim como os exercícios?
Hoje de manhã tava pensando sobre ser livre, livre dos remédios e das regras que me prendem. O que será que eu ia fazer se eu fosse realmente livre? Será que não ia continuar a mesma coisa? Será que eu ia mesmo sair pelo mundo ajudando os pobres e necessitados? Eu queria fazer isso mas será que teria mesmo coragem? Eu acho que sim… Quantos riscos de vida reais eu iria correr? Até agora os riscos que eu corri antes de me tratar, riscos mesmo, foram o de se acidentar de carro, que eu não sei até hoje como eu não morri assim… E só eu acho. Porque eu corria o risco de pegar uma doença sexualmente transmissível, mas não era um risco direto. Era mais porque de tanta exposição uma hora pode acontecer mas não quer dizer que ia… E  a necessidade de dinheiro fazia eu correr o risco de roubar, ou de me envolver com pessoas perigosas mas aí também… Será????
Não sei se é por isso tudo que hoje eu tenho tanto medo de morrer.
E se eu tenho tanto medo de ser esquecida porque eu não deixo as pessoas se aproximarem de mim??? Essa seria a melhor forma de ser lembrada não?
Eu sei que a minha filha nunca vai me esquecer e isso me conforta…